Antonieta Cunha – Foto arquivo pessoal.

eleita na sucessão de Márcio Garcia Vilela, professora e escritora ocupará a Cadeira n° 9, cujo patrono é Josaphat Bello

 

Na tarde de segunda-feira (12/7), na sede da Academia Mineira de Letras, foi realizada a sessão de apuração dos votos da eleição para a cadeira de número 9, cujo fundador foi Bento Ernesto e o patrono Josaphat Bello. A professora e escritora Antonieta Cunha foi a candidata eleita com 35 votos.

A cadeira nº 9 já foi ocupada pelo jornalista, contista e poeta João Alphonsus de Guimarães, pelo jornalista e escritor Djalma Andrade, pelo escritor Ildeu Brandão e também pelo advogado, professor, jornalista e ex-secretário de estado Márcio Garcia Vilela, falecido em abril deste ano.

Para o presidente da AML, Rogério Faria Tavares, a eleição de Antonieta Cunha reitera o compromisso da Academia com a Educação e a Cultura. “Ela dedicou décadas de sua vida à sala de aula, formando gerações e gerações de alunos. Além disso, fundou uma das mais importantes editoras brasileiras, a Miguilim, que marcou época na Literatura Infanto-Juvenil no país. Como gestora pública, Antonieta Cunha foi também notável. Em seu período como secretária de Cultura de Belo Horizonte foi que a cidade ganhou o FIT, Festival Internacional de Teatro, e o FAN, Festival de Arte Negra. Estamos todos muito felizes com a sua chegada”, completa.

Sobre a nova acadêmica Antonieta Cunha

Formada em Letras Neolatinas, com mestrado e doutorado em Letras pela UFMG, Maria Antonieta Antunes Cunha nasceu em 1939 e dedicou sua vida ao ensino e à literatura.

Lecionou Língua Portuguesa no chamado “Curso de Formação” de Professores do Instituto de Educação de Minas Gerais, de 1964 a 1970, quando passou a exercer o cargo de vice-diretora da Instituição, até 1973. Também deu aulas nos cursos de graduação e de pós-graduação da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) até 1986, tendo lecionado, a convite, na pós-graduação do curso de Ciência da Informação e na graduação do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação.

Como fundadora da Editora Miguilim (1980-1993), editora da Dimensão (1998- 2015) e consultora da RONA (2015-2021), criou vários projetos de edição de livros para crianças e jovens. Nas três Casas, fez a seleção e publicou livros traduzidos do Espanhol, do Francês e do Inglês, tendo a oportunidade de revelar talentos, como Ana Raquel, Marilda Castanha, Paulo Bernardo, Flávio Fargas, e de publicar grandes nomes, como Orígenes Lessa, Joel Rufino dos Santos, Elvira Vigna, Sylvia Orthof, Joel Rufino, Mirna Pinsky, Angela Lago, além de obras de acadêmicos como Bartolomeu Campos de Queiroz, Angelo Machado e Luís Giffoni. Por duas vezes, integrou o júri do Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura Infanto-juvenil.

Desenvolveu o projeto e organizou todos os volumes da coleção “Crônicas para Jovens”, da Editora Global, composto por obras de autores como Ignácio Loyola Brandão, Marcos Rey, Affonso Romano de Sant’Anna, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Marina Colasanti, Rubem Braga, Ferreira Gullar. Na mesma coleção, realizou uma alentada entrevista com todos os cronistas então vivos: Loyola, Affonso Romano, Marina Colasanti e Ferreira Gullar.

Escreveu mais de 50 artigos para jornais e capítulos para livros e revistas
especializadas em Leitura e Literatura. Como autora, publicou cerca de 20 livros, entre teóricos e didáticos, e alguns como tradutora, do inglês, francês e espanhol.